Diante das mudanças que atravessam o setor funerário brasileiro, a governança corporativa emerge como um dos temas mais relevantes para empresas que desejam crescer com segurança e sustentabilidade. Tiago Oliva Schietti, profissional com visão apurada sobre os desafios de gestão no mercado de cemitérios e funerárias, observa que grande parte das empresas do setor ainda opera com estruturas informais de tomada de decisão, sem processos claros de controle, transparência e prestação de contas. Essa realidade, embora compreensível em negócios de origem familiar, representa um risco crescente à medida que as empresas ganham escala e complexidade.
O que é governança corporativa no contexto funerário?
Governança corporativa é o conjunto de práticas, processos e estruturas que definem como uma empresa é dirigida, controlada e responsabilizada perante seus diferentes públicos de interesse. No contexto das empresas funerárias, isso inclui a definição clara de papéis e responsabilidades entre sócios e gestores, a adoção de controles financeiros transparentes, a formalização de processos operacionais e a criação de mecanismos que garantam a conformidade legal e regulatória.
Em linha com esse raciocínio, a governança corporativa em funerárias e cemitérios precisa ser adaptada às especificidades do setor, levando em consideração fatores como a sazonalidade da demanda, a complexidade regulatória, a natureza emocional do serviço prestado e a importância da reputação como ativo estratégico. Tiago Oliva Schietti esclarece que estruturas de governança bem desenhadas para o setor funerário permitem que as empresas respondam com mais agilidade e consistência aos desafios do mercado, reduzindo a dependência de decisões centralizadas em uma única pessoa e distribuindo responsabilidades de forma mais eficiente.
Governança e profissionalização em empresas familiares
A maioria das funerárias e cemitérios privados no Brasil tem origem familiar, o que traz vantagens culturais importantes, como o comprometimento com a história e os valores do negócio, mas também desafios específicos relacionados à separação entre gestão e propriedade. Quando as fronteiras entre o pessoal e o profissional não estão claramente definidas, as decisões tendem a ser influenciadas por dinâmicas familiares que nem sempre coincidem com os melhores interesses do negócio. A profissionalização da gestão, sustentada por estruturas de governança claras, é o caminho mais seguro para que empresas familiares do setor funerário preservem seu legado enquanto constroem capacidade de crescimento.
Nesse sentido, práticas como a criação de conselhos consultivos, a adoção de políticas formais de contratação e remuneração, a separação entre as contas da empresa e as contas pessoais dos sócios e a realização de auditorias periódicas contribuem para profissionalizar a gestão sem necessariamente exigir grandes investimentos iniciais. Tiago Oliva Schietti pontua que dar esses primeiros passos em direção a uma governança mais estruturada produz resultados concretos em termos de eficiência operacional, credibilidade junto a parceiros e clientes e capacidade de atrair investimentos ou viabilizar processos de sucessão.

Compliance e conformidade regulatória
O setor funerário brasileiro é regulado por um conjunto extenso de normas sanitárias, ambientais, trabalhistas e municipais que variam de estado para estado e de município para município. Manter-se em conformidade com toda essa regulamentação é um desafio permanente que exige processos internos bem estruturados e uma equipe atualizada sobre as exigências legais aplicáveis ao negócio. Empresas com estruturas de governança consolidadas tendem a ter desempenho significativamente melhor em termos de compliance, pois os processos de verificação e atualização regulatória estão integrados à rotina operacional, e não tratados como exceções.
Tendo em vista que infrações regulatórias no setor funerário podem resultar em multas, suspensão de atividades e danos graves à reputação, o investimento em conformidade precisa ser encarado como uma prioridade estratégica, não como um custo acessório. Tiago Oliva Schietti aponta que a ACEMBRA e o SINCEP têm desempenhado papel fundamental na disseminação de informações sobre legislação e boas práticas regulatórias, contribuindo para que os associados mantenham seus negócios em conformidade e reduzam sua exposição a riscos legais e reputacionais.
Governança como base para crescimento
Empresas com boa governança crescem de forma mais consistente porque tomam decisões com mais qualidade, gerenciam riscos com mais eficácia e constroem relações de confiança mais sólidas com clientes, parceiros e colaboradores. No setor funerário, onde a confiança é a moeda mais valiosa de todas, essa correlação é especialmente relevante. Conforme detalha Tiago Oliva Schietti, funerárias e cemitérios que investem na estruturação de sua governança não estão apenas organizando processos internos, mas construindo os alicerces de uma empresa capaz de crescer sem perder de vista os valores e a qualidade de serviço que justificam sua existência no mercado.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez